27.4.09

Love is noise.

A audição aguçada,talvez pela curiosidade,pelo desejo,pela vontade incontrolável de se registrar cada ruído.
O som do solado dos sapatos nos degraus molhados da entrada,os escassos pingos que marcavam o fim da chuva,formando a trilha sonora ,feita apenas com o contato com as telhas.
A chave entrando lentamente na fechadura,a maçaneta se virando lentamente,o ranger da porta de madeira.
O som das mãos dele ,segurando o braço dela,e apertando a manga da jaqueta de veludo.
A respiração acelerada.
A venda caindo no chão,o espanto ao ver o cômodo repleto de balões,que batiam no teto.
O som do abraço,do beijo,da felicidade.
Não era nenhuma data em especial,era apenas mais um dia.Mas um dia para se provar que o som do amor é impossível de ser ignorado.

24.4.09

Parte XIII: O mais estranho amor da minha vida

Já havia se passado um mês e meio e eu ainda não conseguia tirar da cabeça aquele último dia em que estive com Danton. Não sei se fiquei marcada pela tristeza ou pela dúvida. Desde aquele dia que eu tenho ido até a ponte para ver se encontro uma resposta ou uma solução. É como se eu sentisse que do mesmo lugar que ganhei algo, eu perdi, e agora novamente eu estivesse indo lá para ganhar alguma outra coisa que pudesse apagar tudo que eu estava sentindo, ou até quem sabe, arrumar uma nova motivação. Se para Danton aquela ponte serviu de busca para o que ele tanto esperava na vida, então talvez para mim também adiantasse. E foi assim que pensei todos os dias em que pisei lá. Mas eu sempre voltava para casa derrotada. Vovó sempre disse que o tempo cura tudo e nos ensina muita coisa, mas então eu estava sendo a inimiga do tempo, pois, eu não sentia que ele estava me ajudando. Cheguei até a pensar que ele me largou para trás, começou a correr sem mim e me deixou no passado como se minha cruz fosse mesmo continuar sofrendo por alguém que já devia era estar sendo esquecido.
Nem a manhã de mais um sábado ensolarado conseguia me animar. Decidi sentar um pouco no jardim em frente de casa com o Cacau, havia um tempinho já que eu não me dedicava a ele também.
O solzinha da manhã estava gostoso. Deitei na grama com Cacau do lado e quase peguei no sono. Só fui despertar completamente quando vi um carro parecido com o de Danton passando em frente a meu jardim. Meu estômago começou a remoer como de costume e já me senti abater pela tristeza dos últimos dias. Prendi Cacau na corrente e resolvi sair dali, dar uma volta talvez. Fui andando, andando... Nem me toquei do caminho que estava tomando. Eu só sabia prestar atenção nos meus pensamentos. Só fui notar onde eu estava quando Cacau começou a latir. Olhei para os lados e reconheci. Novamente, eu estava na ponte. Era como se meus pés já tivessem decorado todo o caminho e meus olhos me levassem até lá sem nem mesmo eu ter que decidir por isso. Fiquei meio assustada com minha total falta de atenção para esse fato, mas minha tristeza ainda falava mais alto, por isso não me importei. Fui caminhando até o banco mais próximo e quando passei os olhos pelas árvores no outro lado da ponte me deparei com uma sombra tentando se esconder atrás de uma delas. Fixei o olhar e tentei andar para perto na intenção de ver melhor. Cacau começou a latir e virei meus olhos rapidamente para ele para ver se estava acontecendo alguma coisa, mas ele estava latindo para a mesma coisa que me chamou a atenção. Quando olhei novamente para as árvores, a sombra havia sumido. Comecei a correr até lá, mas percebi que era inútil. Quem quer que fosse que estava tentando se esconder de mim, já tinha sumido. Subi as pressas para a ponte de novo e de lá olhei para a rua e vi o que meus olhos talvez não quisessem ver. Danton estava arrancando seu carro e saiu o mais depressa. Eu não queria acreditar naquilo. Não queria ter mais motivos pra pensar sobre aquele assunto. Parecia um imã. Sem querer eu continuava sofrendo e assim continuava a atrair essa história para minha vida.
Tentei não juntar hipóteses sobre nada do que havia acontecido dessa vez. Resolvi sair até mesmo daquele lugar e fui para casa.
Chegando... Soltei Cacau no gramado como de costume, pois dali ele nunca fugia, e me sentei também novamente até tentar aliviar um pouco a tensão e assim poder entrar em casa. Tudo bem que já não havia mais fórmula para esconder minha angústia dos meus pais e minha avó, eles já tinham notado um problema em mim, mas de qualquer forma eu não gostava de saber que estava sendo mais observada do que de costume.
Passado uns 20 minutos já que eu estava por ali, fui procurar Cacau pelo jardim, ele tinha a irritante mania de se esconder de mim atrás dos pequenos arbustos. Chamei, chamei e nada dele aparecer. Comecei a invadir os jardins dos vizinhos na esperança de encontrá-lo. Quando me virei para olhar novamente na frente de minha casa, achei que estava vendo uma sombra do passado. Eu não sabia identificar se estava com raiva ou surpresa. Parada bem ali quase na minha porta, estava Ananda. Cacau estava em seu colo e ela ainda tinha aquele ar de triunfo no rosto:
- Solta o meu cachorro.
Ela me olhava dos pés a cabeça:
- Ora, ora, ora. Ainda continua a mesma sem educação de sempre. Tome seu cachorro, não o quero, estou aqui porque preciso falar com você. E não teria vindo se não fosse realmente importante.
Ela largou Cacau no chão, mas ele se manteve perto dela. Bem que eu sempre soube que meu cachorro era burro:
- Seja lá o que você quer comigo, fique já sabendo que não tenho mais nada com Danton, não se incomode em perder seu tempo comigo.
Ananda cruzou os braços e fez cara de quem não entendia o que eu dizia:
- Queridinha, só presta atenção no que eu vou te dizer. Danton não é mais o mesmo. Nossa família está muito preocupada e precisamos dele mais do que nunca. Eu jamais te procuraria se não fosse um caso especial. Não entendo a magia que você usa para conquistá-lo, mas já que você conseguiu, então agora agüenta. Porque Danton está muito mal, ninguém consegue ajudá-lo, e eu sei qual é o problema dele. Você!
Quem fazia cara de que não entendia nada agora era eu. Eu devia estar da cor de um pastel porque minha cabeça estava rodando e eu não acreditava no que ouvia. Tudo parecia estar complicando mais do que já poderia estar:
- Ananda, eu... Não faço idéia...
Ela fez cara de brava e me interrompeu:
- Você tem duas alternativas. Ou procura Danton, ou... Procura Danton.
Enquanto ela terminava essa frase ela foi andando em direção a um táxi que a esperava do outro lado da rua. Demonstrei que queria falar e ela não deixou. Deu-me adeus e entrou no táxi que saiu rapidamente. Fiquei parada olhando a rua vazia como se ainda tivesse algo para observar. Eu não fazia idéia do que Ananda pensava que eu fiz para Danton. E muito menos tinha como procurá-lo, afinal, se eu soubesse como achá-lo já teria feito antes. Eu estava cada vez mais confusa e sem luz no fim do túnel. A única coisa que ainda demonstrava vontade de lutar era meu coração que pulava cada dia e cada vez mais em que ouvia o nome Danton.

22.4.09

que tipo de amor você vive?

Tá bom. E a gente acha que sabe algo sobre o amor. Olhe bem a esse mundo ao nosso redor. Nós não sabemos nada. Somos todos egocêntricos, egoístas. Queremos um amor pra nós, queremos que alguém cuide de nós, queremos ser o centro da relação.
E enquanto nossa visão continuar assim não vamos viver o amor verdadeiramente. Porque amar é se doar a outra pessoa, é ter ações não somente porque elas serão boas pra você, mas sim porque serão boas para todos. É muitas vezes deixar de fazer algo pra se sentir bem pra fazer pelo outro. É deixar sua preferência pra agradar, e não confunda isso com ser bobo.
Quando o amor acontece, ele ultrapassa as razões humanas, ele supera limites e move montanhas. O amor é mais do que a gente pode imaginar e realizar, é uma caminhada. Aonde a gente vai aprendendo a quebrar toda essa nossa estrutura tão egoísta.
A primeira declaração de amor esta na bíblia quando Jesus deu sua vida por nós, se espelhando nisso percebemos que amar é dar a vida a outra pessoa, é sofrer, mas se alegrar pelo outro, é ter a certeza de que você fez tudo com o seu sentimento para ajudar a pessoa, para ser útil, para ser digno de ser amado.
Não é amar esperando que a pessoa te ame em troca, isso é uma necessidade de nós humanos, mas amar é mais do que isso. A verdade é que jamais seremos capazes de amar totalmente devido aos nossos limites, tudo que a gente faz é uma tentativa de amar dentro dos padrões humanos.
E você já parou pra pensar em qual grau de amor você esta? Você já parou pra pensar se ao menos vive 10% desse amor que nos é cabível? Ou se ele tem sido uma fantasia, uma coisa medíocre, uma carência? Ou você tem esperado por ele, como se só você precisasse dele?
Às vezes é tudo questão de parar pra refletir.

Ps. Vale a pena dizer que o texto é uma reflexão minha mesmo, eu vivo me questionando isso, afinal eu não sou melhor do que ninguém pra saber o que realmente é amor.

17.4.09

Parte XII: O mais estranho amor da minha vida

Eu já estava andando em círculos pelo meu quarto já fazia 1 hora. Era como se meu cérebro estivesse dividido entre o bom e o ruim. Um lado me dizia que o melhor seria me afastar de Danton definitivamente, e o outro me mandava correr atrás dele e saber tudo, de uma vez por todas. Ao menos eu poderia pedir desculpas pela minha injustiça em não ter acreditado nele. Era a razão batendo forte na consciência e o coração pulando acelerado me deixando agoniada em querer correr logo para Danton. O xérox com as identidades ainda estava em minha mão. Eu olhava para aquilo de segundo em segundo. Talvez tivesse sido melhor se tudo fosse verdade sobre Ananda e Danton, assim eu ficaria com meu posto de vítima e não precisaria mais pensar em me envolver com nada nessa história. Dei uma pausa nos meus passos e me sentei na beirada da cama perto a janela. Deixei que minha mente se esvaziasse por alguns minutos e passei a sentir só o vento balançando meus cabelos. No momento seguinte, notei que havia um beija-flor a frente da minha janela, parecia que ele me observava assim como eu fazia com ele. Fiquei impressionada com aquilo. Nunca havia visto um beija-flor tão de perto e tão imóvel como aquele ali. Era como se ele tivesse ido até minha janela pra me ver ou enviar um recado. Fiquei pelo menos um minuto imóvel olhando para ele. Assim que me movi, querendo levantar e me aproximar mais, ele voou para longe e sumiu do meu alcance. Acreditei que era algum sinal e então, lembrei novamente de Danton. Levantei-me enfim e sai do meu quarto aos tropeços. Desci as escadas como se uma cavalaria viesse atrás de mim e não me dei tempo de olhar a expressão incrédula da minha avó que estava na cozinha. Depois que sai do jardim de casa comecei a pensar onde e como eu poderia encontrar Danton. Eu não tinha nenhuma forma de contato, nada além da ponte. Era minha única solução até então, procurá-lo no lugar de sempre. Acelerei o passo e fui o mais depressa que pude. Eu não queria me permitir desistir. Já tinha chegado até ali e era o que eu devia fazer. Eu devia desculpas a Danton.
Assim que estava chegando à ponte, notei que o carro dele estava parado ao lado da calçada. Meu coração começou a pular desesperado novamente. Tentei controlá-lo, mas não consegui. Fui subindo a ponte com uma pontada no estômago. Eu não sabia o que me aguardava, só sabia o que devia fazer.
Danton estava sentado no primeiro banco próximo à outra subida da ponte. Ele estava cabisbaixo e por isso não notou minha chegada. Tinha mais umas pessoas por ali. Aproveitei que uma senhora estava andando para o mesmo lado que eu e me escondi atrás dela, fui acompanhando seus passos na direção de Danton. Tentei escolher as palavras certas que eu usaria, mas não saia nada da minha mente naquele momento. Chegando ao banco, deixei que a senhora fosse embora tomando muita distância de mim e me sentei rapidamente ao lado de Danton. Ele não parecia querer largar seus pensamentos e por isso não me notou de imediato. Sentei-me virada pra ele esperando que ele me olhasse, mas ele não o fez. No entanto, ele começou a dizer:
- Sabia que você viria. Eu poderia ter ficado aqui o dia todo a sua espera.
Eu olhei escarlate para ele como quem não queria acreditar no que ouvia. Depois de tudo, ele ainda era capaz de me surpreender mesmo com poucas palavras. Eu não esperava por tamanha compreensão. Fui pronta para me desculpar e não para ser recebida:
- Não sei o que te dizer. Queria ter as palavras certas sempre como você. Só peço que me desculpe por não ter acreditado em você. Foi por isso que vim.
E foi depois dessa minha fala que ele se virou para mim o mais depressa que pôde e me abraçou com muita força, como quem parecia se despedir de algo que nunca mais veria. Meu coração naquele momento estava ao patamar mais alto de exaltação e eu não sabia o que fazer. Talvez tenha demorado alguns segundos até corresponder aquele abraço. Envolvi meus braços em seu ombro e esperei pela próxima atitude de Danton. Queria que ele me soltasse logo para assim ele não notar meu coração saltitante, mas ele não parecia querer me largar. Senti-o encostando seu rosto no meu cabelo próximo ao meu ouvido:
- Amor, eu que te peço desculpas por todos esses mal entendidos. Você não merecia passar por tudo isso. Te encontrei no momento errado da minha vida e tomei total consciência de que não te mereço. Não por agora. Se um dia eu puder te encontrar novamente eu serei o homem mais feliz desse mundo, mas sei que nesse nosso presente eu não tenho mais direito de pertencer a sua vida. Você não precisa e nem vai mais ter que participar da minha vida conturbada. Saiba que você foi à única alegria que tive desde aquele primeiro dia que nos conhecemos e desde então eu sabia que você era a pessoa por quem eu estava procurando todo esse tempo, mas agora eu abro mão dessa alegria, pois você não merece enfrentar tudo que ainda tenho para resolver.
Desprendi-me daquele abraço e olhei nos olhos de Danton. Eu não conseguia entender o que ele dizia. Eu queria sim ter me livrado de toda aquela confusão, mas eu fui ao encontro dele, pois escutei o coração e não a razão. Por mais orgulhosa que eu estive sendo, não era isso que eu esperava ouvir. Talvez eu não tivesse pedido desculpas direito, ou então eu estava esperando de Danton algo que ele jamais tenha pensado. Mas antes que eu pudesse começar a falar, ele me pegou em seus braços novamente e prendeu meus lábios nos seus. Não consegui deixar de corresponder, mas minha vontade era de gritar ou chorar. Eu estava confusa, eu queria explicações e não ser calada por ele. Meu pensamento foi se esvaziando a medida que o beijo foi ficando intenso. Eu estava me sentindo fora do chão quando Danton me largou. Percebi que eu estava envolvida nele mais do que achei que estivesse. Seu rosto ainda permanecia a pouquíssimos centímetros do meu e ele tinha um singelo sorriso no canto direito da boca, mas seu olhar era de tristeza e foi ali que eu percebi que ele não estava brincando e nem iria mudar de idéia. Ele roçou seu nariz no meu, fechou os olhos como quem faz quando sente um perfume de uma flor, tocou meus lábios brevemente e enfim me soltou por completo levantando-se rapidamente. Olhei para ele tentando entender alguma coisa. Eu queria dizer algo, mas não sabia o que. Fiz menção de me levantar e ir com ele para onde quer que ele fosse só que ele foi mais rápido do que eu:
- Não venha Paula. Não me procure mais. Não pense mais em mim. Será melhor pra você. Perdoe-me por tudo, principalmente se te causei tristezas e problemas, mas agora tudo vai voltar ao normal pra você. Fique bem. E se um dia eu merecer e ainda souber que você me aceitaria de volta, eu te procuro. Nunca se esqueça de que eu te amo!
Senti uma lágrima escorrendo pelo meu rosto. Meu coração pulava muito e me pedia para agir, mas eu não conseguia me mover. Era como se Danton tivesse me prendido ao banco para não ir realmente atrás dele como ele havia pedido. E ele tinha feito isso mesmo, mas com palavras. À medida que ele foi se perdendo da minha visão assim como o beija-flor mais cedo, eu fui sentindo mais e mais lágrimas tomando conta do meu rosto e embaçando minha vista.

13.4.09

Chegadas

As folhas alaranjadas caiam do outro lado da porta de vidro,que nos separava,forravam o chão e sustentavam a sinfonia do som dos pés apressados as esmagando.
Minhas mãos tremiam,mas não sentia frio.
O que me separava dele eram apenas alguns passos,e eu podia forçar minhas pernas cansadas,a caminharem um pouco mais rápido,apenas para poder encurtar essa longa espera,dar um fim para essa ausência que aumentava cada vez mais o nível de dificuldade de suportar o peso da saudade.
Minha mente me traia,me bombardeado com lembranças ,e acelerando ainda mais minha eufórica ansiedade.
Passei pela porta gigante de vidro e ,enquanto o vento da rua jogava meus cabelos para o lado,meus olhos aflitos o avistaram.
Parado,a cinco passos de mim,com as mãos no bolso,com a mesma aflição e desespero que eu carregava em meu peito.
Abri um sorriso,e senti meu coração disparar.Atirei as malas no chão e corri,me atirando naqueles tão seguros braços,que me aguardavam abertos.
Senti seus braços rodearem minha cintura,me aproximando mais de seu corpo,e me erguendo,enquanto rodopiávamos.
Naquele instante,tudo ficou para trás,Os longos dias de estafante trabalhos,de lagrimas,de conversas pelo telefone,na madrugada,de apertos esmagadores no peito a cada vez que os olhos viam um casal,ou eram forçados a verem as fotos.Tudo,tudo para trás.
Estávamos ali,abraçados,impondo um fim na saudade.
Ele me colocou no chão,me fitou por alguns segundos,com um sorriso iluminador nos lábios .
-Eu te amo.-ele disse,com a voz mais sincera e aveludada que se possa imaginar.
E antes que eu pudesse responder,ele pousou seus lábios no meu.
Eu estava em casa e nada podia mudar isso,ou roubar essa sensação de alivio em meu peito.

1.4.09

acabou.

Ontem um cheiro que há tempos eu não sentia invadiu minhas narinas sem pedir permissão – odeio cheiros indesejáveis – era o seu cheiro, aquele seu velho perfume forte que fica impregnado no ar e fazendo cosquinha em minhas narinas.
Ah, quanto tempo que eu não sentia esse cheiro, e há quanto tempo eu não te via, pra mim foi uma surpresa, confesso que não esperava te ver tão cedo – embora já tenham se passados messes – mas foi bom pra mim, provou que eu consegui te deixar partir de vez de mim.
Quando olhei eu tive a certeza de que todo aquele amor doentio que eu sentia por você havia ido embora. E todos os nossos momentos loucos se passaram diante de meus olhos e eu só conseguia dar risadas, me coloquei em cada posição por você, fiquei de joelhos, implorei seu amor, e hoje eu vejo que as coisas estão bem melhores sem você. Engraçado né?
Acabou que mesmo tendo sido difícil pra mim, eu percebi que a melhor coisa que podia ter me acontecido foi ter te perdido. E eu que não acreditava quando todos diziam: “vai passar”.
Eu lutava contra essas palavras fortemente, dizendo que te amava de verdade, que sem você eu jamais seria feliz. Eu te colocava no centro do meu mundo e hoje você nem faz parte dele.
Eu realmente amei, não nego, fui cega, te coloquei num pedestal e vivi na motivação de ser melhor pra você, suficiente pra você, interessante pra você, e esqueci por longo cinco anos de ser feliz por mim, de ser suficiente pra mim, interessante pra mim.
Mas ontem eu percebi que hoje eu não me preocupo mais com o que você vai pensar de mim – por exemplo se ler esse texto – nem ao menos em não saber como você está. Pra mim é um alivio ter saído dessa louca situação que só me prejudicava.
No final das contas, você acabou me fazendo bem, me fez crescer, me fez criar amor próprio, me fez ser alguém mais forte, me fez aprender a ter controle em situações difíceis, me fez descobrir a alegria de viver o melhor de cada pessoa, me fez ter certeza de que tenho amigos de verdade, me ensinou a sorrir mesmo em momentos difíceis, e me fez ver que eu não preciso de você pra trilhar esse longo caminho chamado: vida.
Alias, esta bem melhor assim, quem me via com você e me vê hoje em dia nota como mudei pra mulher, você foi um aprendizado, e embora eu me sinta um tanto quanto estúpida quando penso em tudo que fiz por você, eu me perdôo por tudo que aprendi.
Hoje eu não estou preocupada com o fato de que talvez você volte a aparecer mais vezes, eu não me importo de sentir o seu cheiro – mesmo ele sendo indesejável – porque eu sinto um cheiro maior que esse que se chama: vontade de viver.
E você hoje só causa em mim, momentos nostálgicos, e relembrar é viver. Senti o cheiro, mas o vento o levou pra longe de mim rapidamente. Te vi, relembrei, suspirei, sorri e segui, e foi como você nem tivesse passado por aqui.